Esta é uma fotografia horizontal, em preto e branco, de João nu, em cima de uma árvore, com galhos secos. João é um homem negro, magro, com cabelo preto, crespo, curto, volumoso. Ele olha para baixo, com os dedos indicador e médio sobre a boca, a mão direita sobre o abdome e a perna esquerda, levemente flexionada, escondendo suas partes íntimas. A borda da foto é formada por flores ampliadas de Assa-peixe, folhas de tingui e cascas da árvore Pau-d’alho. No tronco da árvore, textos em branco como: ACREDITO MUITO NESSA BRINCADEIRA COM O EQUILÍBRIO, DE BRINCAR COM ESSE LUGAR DO NÃO CHÃO, ME LEMBRA DE UM EQUIPAMENTO DE EQUILÍBRIO USAMOS NA DANÇA, ME DÁ MUITA GANA, MUITA VONTADE! EU SINTO UM PRAZER. ESTAR NA ÁRVORE É ESSE SENTIMENTO DE ENCONTRO COM ESSE LÚDICO. E NÃO SÓ O LÚDICO. É COMO UMA PARTE MINHA QUE QUER ESTAR ALI SENTINDO AS DIMENSÕES DA GRAVIDADE, SENTINDO O PESO, SENTINDO MEU CORPO NAQUELE ESPAÇO E QUANTO É DIFÍCIL ESTAR ALI E BRINCANDO COM ESSE ESPAÇO DE INSTABILIDADE.
Nesta segunda fotocolagem, sobre a metade superior de uma fotografia vertical com fundo em tons de cinza e vermelho, um mosaico com a foto central de duas grandes abelhas pretas com listras amarelas cercada por 12 fotos de João, dançando. Esta AD continua abaixo do ícone de audiodescrição, ao final da página.
Nesta última imagem, sobre a metade inferior de uma fotografia vertical em tons de cinza, a foto em preto e branco de João dentro d’água, envolto em reflexos do sol sobre a água. Ele está deitado, de perfil esquerdo, com a cabeça voltada para o canto inferior direito e o braço esquerdo flexionado, na flor d’água. Um texto branco em forma de espiral envolve seu corpo. Parte do texto está fora dos limites da fotografia e as letras pequenas em contraste com a água o torna ilegível. Na metade superior, em preto e branco, cascas do Pau d’alho.
Ser em si

"Apresentar o projeto de co-criação da expressão de arte dançante, bailante e self stimulation do João Carlos, me arremeteu a esperança por dias melhores. Em meio à gravidade da pandemia, o isolamento compulsório, o luto e as desigualdades sociais que se instalam como erosões entre as minorias, nosso encontro foi bálsamo e mergulho em águas limpas."

Adrianna Reis

"Acredito muito nessa brincadeira com o equilíbrio, de brincar com esse lugar do não chão, me lembra de um equipamento de equilíbrio que usamos na dança,
me dá muita gana, muita vontade! Eu sinto um prazer. Estar na árvore é esse sentimento de encontro com esse lúdico. E não só o lúdico. É como uma parte minha que quer estar ali. Sentindo as dimensões da gravidade, sentindo o peso, sentindo meu corpo naquele espaço e quanto é difícil estar ali e brincando com esse espaço de instabilidade."

João Carlos

Cocriação: Adrianna Reis e João Carlos

Técnica: Fotocolagem, intervenção em texto

Ano: 2021

Brasília - Distrito Federal | Sagarana - Minas Gerais | Brasil

Adrianna Reis Como psicóloga, há 20 anos trabalho com saúde mental. Sou mãe de duas autistas e eu mesma, TDAH. O universo neurodiverso é meu quintal de brincar. Há 10 anos, os estudos sobre gênero e bioética na CATHEDRA UNB, me levaram ao estreitamento com a intersetoriedade de pessoas PCDs. Nesse lugar nos encontramos. Eu e João. A psicóloga e o bailarino autista.

João Carlos Eu sou João Carlos e sou autista. Meu nascimento se deu pelas mãos da parteira Dona Sabina. Fui criado em Sagarana, norte de Minas Gerais. Sou cerratense, poeta, sertanejo, apaixonado por abelhas nativas e membro fundador da CineBaru - Mostra Sagarana de Cinema, durante todas as suas edições e atual presidente da Associação Cresertão, que atua na região onde nasci. Eu sou artista e arte educador, em formação.

Ícone da audiodescrição.

AD segunda imagem

Nesta segunda fototocolagem, sobre a metade superior de uma fotografia vertical com fundo em tons de cinza e vermelho, um mosaico com a foto central de duas grandes abelhas pretas com listras amarelas cercada por 12 fotos de João, dançando. O mosaico forma uma colmeia. As fotos têm formas irregulares e algumas estão distorcidas. João usa um macacão de lycra, preto, representando um tipo de abelha chamada Mandaçaia. Em todas as fotos, ele está na natureza, cercado por muito verde. Nas bordas das fotografias, textos em branco e preto, como: ESSES DIAS DESCOBRI QUE AS ABELHAS TAMBÉM DANÇAM. É ASSIM QUE ELAS SE ACHAM NO MUNDO EM RELAÇÃO AO SOL. ME ENTENDER NESSE LUGAR DO AUTISTA E TER UM DIAGNÓSTICO. CADA VEZ MAIS ESTOU ME CONECTANDO COM A DANÇA. E O QUANTO MEU CORPO ESTÁ EXPRESSO EM DANÇA. BARRO, ABELHAS, DANÇA, PARECEM UNIVERSOS DISTINTOS, MAS ELES SE ENCONTRAM. MUITO CARINHO! GOSTO MUITO DE ABELHAS E OUTROS INTERESSES RESTRITOS HOJE COMO O BARRO. E EU DANÇAVA NA FRENTE DAS PESSOAS. QUANDO EU TINHA UM TIPO DE CRISE, EU ME MOVIMENTAVA E PASSAVA PARA INTENÇÃO DE DANÇA. Na metade inferior, uma casa de abelha redonda, cinza escuro, no centro, cercada por folhas secas, douradas. À direita, parte de outra casa de abelha, marrom.

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