No centro, sobre fundo cor de vinho, uma mulher sem blusa, sentada, de perfil esquerdo, vista do rosto até as coxas. Ela é parda, com pele clara, cabelos longos, ondulados, em tom de marrom escuro, com mechas claras à direita. Os cabelos estão dispostos sobre seu colo, escondendo o seio direito. Ela tem nariz grande, bochechas salientes, lábios grossos, destacados pelo batom vermelho, e queixo arredondado.  Usa short curto, em diferentes tons de rosa. A tinta, em tom avermelhado, produz formas curvas, indefinidas, pelos ombros, braço e costas. Ela esboça ar provocativo, com o rosto levemente inclinado para cima, deixando à mostra apenas o olho esquerdo, semiaberto, o braço esquerdo flexionado junto ao abdome, como que apoiando o seio redondo, desnudo e a mão direita sobre a coxa, segurando um cigarro entre o indicador e o médio.
Neste primeiro zoom da obra, a mulher é vista da base do seio até as coxas.
Neste segundo zoom da obra, a mulher é vista do pescoço até um pouco abaixo da cintura.
Neste terceiro zoom da obra, a mulher é vista da ponta do nariz até o bico do seio.
Sem título

Retratar a beleza, subjetividade e o poder de um corpo feminino, não simétrico e LGBTQIA+. A escolha pela linguagem tradicional da pintura secular em óleo sobre tela surge do entendimento de que esses retratos sempre foram postos para designar um certo tipo de validação sobre os corpos retratados, como moldes de beleza e status. Desse modo, a ideia é o de se apropriar dessa linguagem propondo um olhar de encanto, validação e poder de um corpo que socialmente não é visto como belo.

Geoneide Brandão

Cocriação: Geo Brandão e Eliene Berto

Técnica: Óleo sobre tela

Ano: 2021

Dimensões originais: 80 x 100cm

Maceió - Alagoas - Brasil

Geo Brandão artista visual alagoana e estudante de licenciatura em artes visuais pela UFPE. Trabalha com diversas linguagens visuais e desenvolve uma pesquisa em pintura, cujo objetivo é evidenciar corpos LGBTs criando narrativas positivadas de poder, contemplação e emancipação dos corpos dissidentes em questão.

Eliene Berto estudante de Ciências Sociais pela UFAL, mulher, defiça e LGBT+. Pesquisa sobre corpos com deficiência e as relações de gênero, respaldando as problemáticas que as norteiam. Desenvolve pesquisa na área educacional de Maceió.