No centro, três mulheres nuas, vistas de costas, sobre terreno gramado. A do meio é negra, com cabelo black, curto, preto e tem as pernas amputadas a partir dos joelhos. Ela se apoia pelos braços nos ombros das outras duas mulheres. A da esquerda é uma mulher negra, de pele clara, com um grande black preto, amputada do joelho direito para baixo. A da direita, é uma mulher parda, de pele escura, com cabelo preto, liso, na altura da nuca, amputada do joelho esquerdo para baixo. Seus corpos estão dentro de um anel cor de laranja, semitransparente, na diagonal, que as envolve da perna da mulher à esquerda para o quadril da mulher à direita. À frente delas, três círculos. Um grande círculo com borda cor de rosa choque, preenchido com textura granulada de rosa e branco. Sobre ele, à direita, um pequeno círculo vazado, com borda cor de vinho e três linhas finas, douradas, na diagonal, do lado superior direito e, entre eles, um círculo azul.
Conter e não conter

O trabalho em questão propõe uma reflexão sobre a não discriminação contra as pessoas com deficiência, e, para tanto, valemos do ponto de partida de uma teoria matemática, a teoria dos conjuntos. Nessa toada indagamos a sociedade sobre o conter e não conter. O estar parte e o não estar parte da sociedade, a partir da lógica do capacitismo praticado por muitas pessoas.

 

O trabalho pretende suscitar o entendimento que todo e qualquer ser humano contém algum tipo de deficiência, todes detém: desde as mais visíveis, passando pelas físicas, intelectuais e mesmo a velhice, que é o "deficitar" das células do corpo pelo tempo e condições em que uma pessoa vive. Nesse sentido, ansiamos que o preconceito e discriminação (como qualquer outra) possa cessar a partir do entendimento da aproximação, do ser parte, uma vez que vemos em nós uma condição que nos aproxima, a tendência é que o preconceito se acabe.


Na imagem, as linhas da teoria estão esfumaçadas, dando essa ideia do tempo e transitoriedade, do não rígido, portanto: humano.

Cocriação: Dayse Hansa e Key Amorim

Técnica: Ilustração digital

Ano: 2021

Brasília - Distrito Federal - Brasil

Key Amorim Desenvolvo meu trabalho por meio do grafite, da arte pública e da ocupação urbana. Busco trazer para o dia a dia das pessoas, o contexto da minha vivência. O grafite entrou na minha vida quando eu fui diagnosticada com uma síndrome rara autoimune, que me causou perda dos movimentos - a Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Foi quando a sociedade fechou as portas para mim, o grafite abriu. E é por isso que uso ele como ferramenta para alcançar as pessoas.

Dayse Hansa sou artista visual/plástica e poeta. Procuro investigar o mundo ao meu redor, mas meus traços representam o que eu sinto no peito e na cabeça e minha observação também crítica ao mundo. Mulher preta não retinta, produtora, artista visual e lésbica.