Nesta primeira fotografia, Gabriela é vista de costas dentro d’água, nadando para a direita. O fundo é preto. Ela é uma mulher branca, não magra, com cabelos ruivos, ondulados. Gabriela usa top e calcinha bege escuro, largos. Uma curva sinuosa na coluna faz com que suas costas estejam na horizontal e as pernas atrofiadas, na vertical. Sua imagem é refletida na superfície da água.
No centro superior desta segunda fotografia temos as pernas atrofiadas de Gabriela, vistas de frente, como que caindo sentada, com os joelhos muito próximos e os pés afastados, apontando para fora, em direções opostas. O fundo é preto e ela está debaixo d'água.
No centro desta terceira fotografia, Gabriela é vista de perfil esquerdo, dos ombros para baixo, dentro d’água. Ela está com os braços abertos e as pernas flexionadas para a frente, com os pés entre as rodas de uma cadeira de rodas caída, com o recosto branco flutuando para a direita. O reflexo dourado na superfície da água, refletido nos braços da cadeira, deixa-os em tom de ouro velho, que contrasta com o aro prateado da roda. Os raios de sol entram na água e ilumina o corpo de Gabriela, todo o fundo é preto.
Libellum

“Fazer o ensaio pra mim foi uma sensação única. Me possibilitou entender mais sobre como meu corpo com deficiência, se comporta dentro d’água. A forma como eu enxergo esse corpo mudou um pouco, e me possibilitou amá-lo mais ainda, exatamente do jeito que ele é.”

 

Gabriela Amorim

“Fazer esse ensaio fotográfico foi um grande marco na minha história dentro da fotografia, afinal de contas, eu nunca tive a oportunidade de fotografar uma pessoa com deficiência. Ver o corpo da Gabriela se movimentado dentro da água foi uma das sensações mais gostosas que eu já pude experienciar.

E saber que essas fotografias atravessaram a Gabi de uma forma tão poderosa, como o auto olhar, para mim, só confirma a importância de protagonizar as pessoas com deficiência, por meio de  um olhar subversivo e empoderador.

Amanda Bambu

Cocriação: Amanda Bambu e Gabriela Amorim

Técnica: Fotografia submersa

Ano: 2021

Maceió - Alagoas - Brasil

Amanda Bambu  alagoana, tem 26 anos. É artista visual e trabalha há pouco mais de 8 anos com fotografia, e vem desenvolvendo desde então inúmeros projetos com temas relacionados a "mulher" e suas mais diversas nuances dentro da sociedade, de uma forma poética, visceral e sincera. Ministra palestras, oficinas e aulas sobre fotografias e sua relação com a construção de narrativa e a poética do fazer fotográfico. 

Gabriela Amorim é uma mulher de 24 anos, que nasceu com mielomeningocele. Aos 9 anos de idade, se tornou a primeira bailarina cadeirante de Alagoas. Já viajou para festivais de dança Brasil à fora, como Brasília, Fortaleza, Aracaju, entre outras cidades do país, durante seus 15 anos de carreira.